sábado, dezembro 09, 2017

Mari Romano e Pedro Pastoriz - "Um Ar" - Circo Voador

Como o silencioso leitor
sabe, eu já disse, tenho feito algumas das transcrições do programa Escuta, do
núcleo canção da Letras da UFRJ. Agora to transcrevendo o Escuta da Mari
Romano, do seu disco Romance Modelo. E dentre as explicações muito interessantes
que ela deu, para as perguntas muito interessantes que Rafael Julião fez,
fiquei parado nesse trecho que transcrevo aqui, sobre a faixa Um Ar.

“Rafel Julião:
         Ne, e, é, isso é uma viagem minha, mas eu acabo entrando
nessas viagens. O quanto essa palavra errata tem a ver com a coisa da... você
desde que começou a entrevista você falou algumas vezes de transformação. E me
parece que a relação da errata com a canção, é a possibilidade da música de
transformar vivências ou de... não sei. São... eu queria que você comentasse
essa relação de música com errata.

Mari Romano:
Tá.

Rafel Julião:
Que
eu gosto, acho tão bonita... errata.

Mari Romano:
         Legal. (riso)
Eu
gosto dessa palavra também.
Mas,
é... de qualquer maneira essa música foi uma viagem, tipo, viagem de doidão
mesmo, que eu fiquei pensando, gente, isso aqui que ta saindo é um ar, que tava
aqui dentro e que saiu. E ele se transformou, mas, tipo, assim, a gente fica
pensando no que dizer e tentando controlar, mas na verdade, nada foi dito até
você de fato falar ou de fato fazer. Então, tipo, tudo é editável até o último
segundo. Por isso que eu falo que, tudo que eu digo parece ser de última hora e
que esse ar passa... escala um tubo e passa pela casinha e vira tudo música,
sinais, palavras e tal.
É meio
tirando um pouco a opressão daquela coisa da linguagem. Dizendo, ó, ce tem aí.
É tipo, na verdade, também é só um sopro, é efêmero, ta no tempo, enfim. É
meio, foi mais uma viagem...”
E
achei esse vídeo dela cantando a Um Ar com o charmoso Pedro Pastoriz:
        



quinta-feira, dezembro 07, 2017

É um mundo escuro esse em que se entra pra escrever. A gente vai clareando o caminho à medida que as frases vêm aparecendo, mas o resto tá no escuro, que é justo onde a gente vai e quer entrar. Daí, que eu mantenho o blog por quinze anos sem ter o que dizer, apenas por que gosto de ficar nesse lugar limite entre a escuridão e a claridade, nessa estação, onde uma vem e a outra vai e onde o que eu sinto se filtra um pouco e, aí, me sinto um pouco melhor, aqui, no apezinho, meio de eremita se socializando um pouco.
Agora, apenas mais um parágrafo para a clareira se alargar:
Mês que vem será 2018 e oficialmente me deram como alfabetizado em 1969. Não consigo ter a lembrança toda, mas a impressão é a de que no fim de 69, fui chamado ao gabinete para um teste: ler o ato de contrição, assinar meu nome? Não sei, a memória comeu essa parte. Não sei mesmo se foi nessa parte da estória, quando fui chamado ao gabinete. Estou num limite em que as frases vêm mais escuras do que luminosas, em que elas estão na sombra, quase não se vê o que elas dizem. Uma clareira na sombra escura, dentro do breu enorme.


quarta-feira, dezembro 06, 2017

luís capucho - ensaio com Vitor Wutzki - A Expressão da Boca.

No final de janeiro o Vitor vai vir com Flora e, aí, tou
vendo lugar em que a gente possa apresentar as músicas. Já reservei uma data
pra gente apresentá-las aqui no apezinho e passar o chapéu, no fim. Aí, cada um
traz a sua droga – refrigerante, cerveja, cachaça - e a gente prepara uns
acepipes. Desde já, estão todos convidados. Também já reservamos uma data em
Nova Friburgo, na casa de meu velho amigo Ciro, para isso. E estamos procurando
lugares domésticos ou não, para a oportunidade. Os amigos que virem esse post e
tiverem ideia, é só falar com a gente. E vamos para 2018!


terça-feira, dezembro 05, 2017

A gente, de novo, passou o domingo atualizando o site. Ficaram coisas ainda por fazer, mas ele ta ficando mais completo. Dessa vez, a gente ficou colocando a Medalha José Cândido de Carvalho nas páginas dos livros, porque foram eles que a mereceram.
O resultado disso ficou muito simples e bonito, mas até chegar nele foram horas de tentativas e erros.
Vejam:


sexta-feira, dezembro 01, 2017

Quando a gente vai em SP e anda na rua é que a gente vê que a viagem que uma pessoa pode fazer, vai pra qualquer lugar, que não tem uma direção certa, porque tem pra todo lado e gosto. Eu, às vezes, fico aqui no apezinho me sentindo um cara bem deslocado, sem direção e tudo e, aí, quando saio na rua e olho na fisionomia das pessoas passando, eu fico vendo que é todo mundo como eu, que neguinho vai perdido, vai ensimesmado, vai devaneando no mistério, vai cavucando a sua própria estória e parece que tudo sempre foi mesmo indizível.
Em qualquer lugar e tempo, tudo é indizível, porque eu me lembro de mamãe, numa estrada na roça, parar pra conversar com quem vinha da direção contrária e, aí, a respota do comprimento inicial, da pergunta de como a pessoa ía passando, era a lógica, da lógica, da lógica. Ao invés de a gente ouvir uma explicação, a gente ouvia um “eu vou indo’ e, aí, parava para um pouco de conversa fora e ía embora.
Também, depois que mamãe morreu e que fiquei sem ver televisão, isso que se repara nas ruas de SP, de as direções serem livres, ficou livre pra mim também, acho que fiquei mais sem direção, não tem nem mais novela. Sinto que fiquei por minha conta e tenho a ilusão de que se fosse em SP, que eu teria achado minha turma e perdido a liberdade que ficou.
Fora isso, a Julia e o Gustavo fizeram a versão de Hecatombe, da Patti Smith e a “É selo de língua – editora É” publicou.

quinta-feira, novembro 30, 2017

Só pra me gabar: depois da peça Cabeça de Porco, depois da medalha José Cândido de Carvalho, depois do Diário da Piscina, depois dos shows com Vítor e Tulio, depois de nossa última praia em Itaipu, Depois de SP, BH e Vitória, o Sandro Aragão fechou 2017 com chave de ouro. Ele fez um projeto de mestrado para falar do valor literário de meu trabalho de escritor e ofereceu pras universidades. Até agora só saiu o resultado da UFF. E como ele mora por aqui, aceitou.

Caralho! Ele vai desmascarar total a minha literatura, deixar a minha bichana no osso. E, aí, achar a ginga dela. Eu quero ver!

terça-feira, novembro 28, 2017

Quando eu era pequeno e ia na biblioteca do polivalente, em Cachoeiro, pegar livro, eu os pegava pelo título. E por isso, tinha vezes em que me dava mal, porque pegava livros secos. Foi assim, quando achei que iria ter muita fantasia no Menino de Engenho, do José Lins do Rego.  De verdade, tinha fantasia, mas era seco, diferente dos outros livros do Monteiro Lobato, que eu tava acostumado.
Se naquela época, eu tivesse me deparado na biblioteca da escola com O Coronel e o Lobisomem, do José Cândido de Carvalho, eu teria levado pra casa pra ler e teria me dado mal. Porque quando minha obra literária ganhou a Medalha José Cândido de Carvalho, ganhei também O Coronel e o Lobisomem, do Pedro.
E, aí, não é um livro seco, os parágrafos têm uma melodia de pura fantasia, mas sou capaz de ler um deles inteiro sem entender absolutamente nada do dialeto de um coronel. Isso me lembrou uma vez em que o Baiano – que produziu maravilhoso os meus disco Lua Singela e Cinema Íris - disse muito sem importância, no meio de um assunto, que a gente pegava dos livros só o que a gente conseguia entender, e que muita coisa era apenas para passar os olhos, não para pegar.
E nunca me esqueci.