quarta-feira, agosto 16, 2017

Eu sempre acho que há uma coisa mais acertada, mais real, verdadeira e tal, mas a gente vai sendo jogado daqui pra lá, de lá pra cá, e não tem muita noção do que acontece e como curto vir aqui escrever, para isso, pra pensar, pra tentar saber, a gente tem de parar um pouco, se perder um pouco da situação e tudo.
Hoje, enquanto preparava o meu desjejum me veio à cabeça a ideia de que, se não tenho nada, se sou um pobre coitado, abobalhado e fraco, é porque meus antepassados não construíram nada que me deixassem, pra que eu pudesse ter já de partida um trampolim bem alto. Logo depois, pensei que não era isso, porque esse pensamento é apenas um dos que separei de outros, aos montes, que eu poderia ter pensado como verdadeiros. Porque se eu modifico o meu ponto de vista, não serei mais um pobre coitado, abobalhado e fraco, e meus antepassados terão me deixado uma riqueza tão grande, mas tão grande, que eu nem consigo supor, porque não vejo, dentro da escuridão de meu corpo quente.
Aí, eu mesmo penso comigo: mas se eu não vejo, não há... e sempre acho que esses meus textos diários do Blog Azul são, a cada dia, o começo de uma nova ou mesma estória que interrompo.

segunda-feira, agosto 14, 2017

Tem umas coisas que surgem, nas épocas em que estou para colocar mais uma “escama” na minha camisa de fazer show. Para a última das apresentações apareceu - depois de havermos feito os shows de lançamento do Diário da Piscina, aqui no Rio de Janeiro, e que iríamos apresentar o show Poema Maldito, no Festival Sesc de Inverno – apareceu no chão da sala, um pedacinho de jóia, uma corolazinha azul, como uma corola dentro da corola, dentro da corola, dentro da corola, dentro da corola... tipo aquela estória dos fractais, em que uma coisa está dentro de si mesma, dentro de si mesma, dentro de si mesma... aí, pedi a minha Vizinha um botão e Pedro colou a corola na corola dourada do botão.
Pedi também, agora, a minha Vizinha que fotografasse.

Vejam:

domingo, agosto 13, 2017

Eu já tava acordado, quando as casas ao redor do apezinho começaram com as músicas do domingo. Com o frio não tenho aberto as janelas. Já aconteceu de eu abrir a janela pra saber de onde vem o ritmo entrando na minha cabeça. E quando ponho a cara pra fora, não tem lugar nenhum, casa nenhuma mandando o som pra cá.
E quando fecho a janela, o som começa outra vez, abafado na minha mente.
Aí, eu vejo que sou eu, que é minha cabeça quem dá um ritmo pros sons abafados que vêm de todos os lados do prédio.
Eu podia me sentir perseguido por esse ritmo que minha mente cria.
Eu podia me sentir perseguido por esse ritmo que meu coração tem.
Mas, não.

Faço limonada.

sábado, agosto 12, 2017

Tem um movimento interno meu que vai indo de remanso em remanso, de correnteza em correnteza, ora com mais calor, ora com mais frio, mais luz ou escuridão, assim, uma coisa que vai se alternando, que vai passando de uma a uma, de uma a outra coisa e lugar. Mas sou sempre eu que não quero ser eu. Sempre sou eu que não posso ser eu. Acho que tenho um pouco de ver esse rio passar... que coisa!

sexta-feira, agosto 11, 2017

Quando eu me sentei no banco do ônibus, já com o lugar do canto ocupado por um senhorzinho, ele começou a me olhar como se eu tivesse ocupado um lugar que era dele. Eu já tava chateado, porque as esperas que tive de fazer pra pegar a receita de remédios e depois a espera que tive de fazer para pegar os remédios, tudo de um jeito desatencioso, já tinha me feito sentir que eu estivesse fora de lugar. E ao lado do senhorzinho, comecei a pensar em lhe dizer, caso ele reclamasse aquele lugar comigo, que a gente não tinha que ficar brigando e tal. Aí, ele tirou a perna que estava invadindo a minha parte da cadeira e esticou-a pra frente. Depois, esticou a outra e cuspiu no chão. Aí, só agora é que me veio à cabeça: será que eu tava com cara de viado e, aí, o senhorzinho cuspiu no chão pra marcar a posição dele? Mas na hora, quando ele cuspia no chão várias vezes, eu curti ele. Achei punk, achei protesto contra o preço exorbitante da passagem – 9,00 reais – achei certo! É isso mesmo!

quarta-feira, agosto 09, 2017

A gente vai se perdendo, isso é uma coisa que não tem jeito. Eu li sobre duas luas de agosto que estarão marcando isso de se perder e estive falando com o Pedro de como todo mundo fala do mês de agosto e como isso parece ser certo, nesse mês.
E, aí, eu disse que a gente tinha de inverter isso, que tínhamos de chegar num tempo em que se perder fosse a qualquer hora, qualquer mês... e depois a gente atravessou a rua, ali na Praça Araribóia, concentrados em agosto, pensando em inverter tudo.
Tem uma aflição desesperada no fato de a gente se perder.
De ter de ficar tudo aberto, esperando a morte.

E começar tudo outra vez, noutra direção.

segunda-feira, agosto 07, 2017

Um Diário da Piscina para Minas:

Atitudes Burras - luís capucho

Nós tivemos apenas dois ensaios, acho: eu, Bruno e os
meninos. Aí, no último deles, eles tocaram a Atitudes Burras rindo e eu achei que era comigo, que era bulling comigo. Mas eles me disseram que não era, que era porque eles estavam sentindo prazer em conseguir me acompanhar no tempo. E olhando agora o vídeo que o Pedro fez, foi isso mesmo. No final, o Pedro Fonte, na bateria, até tinha ficado sem ar e sacode a camisa no peito, se recuperando. E todos riem outra vez...

sábado, agosto 05, 2017

Meu pensamento me faz rir sozinho aqui comigo e, às vezes, me faz chorar. Isso é uma coisa bem frequente. Mas uma outra pessoa, se me diz o pensamento dela, nunca me fará chorar, embora muitas vezes me faça rir. Isso é uma coisa que eu sei. Eu não choro pelo que outra pessoa, que não eu, pense. Eu não choro, se a outra pessoa que pensa, não for eu. Mas rir, rio do que pensam os outros.
E embora, às vezes, meu pensamento me faça chorar, posso passar muito tempo comigo mesmo, porque a minha pessoa me distrai.
Isso está me parecendo a introdução de uma estória que tenho para contar.
De muitas estórias que eu contaria.
Mas, não.

É só isso mesmo.

quarta-feira, agosto 02, 2017

Já faz um tempo que eu tinha proposto ao Bruno Cosentino apresentarmo-nos juntos. Eu canto tudo muito torto, vocês sabem disso. O Bruno, não. Ele canta acertado e bonito, suave. Mas eu acho que empinados nas melodias das músicas a gente voa do mesmo jeito. Já fizemos um primeiro esboço disso, no 3 Vocês, com o Vovô Bebê que é outro que, empinado nas músicas, sonha igual.
A gente ta ensaiado com Pedro Fonte e Gabriel Menezes.
Amanhã, no show Poema Maldito, os amigos da serra vão voar com a gente.